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Cuidados com a depressão pós-parto

O parto e os primeiros dias do casal com o recém-nascido são momentos de muita alegria, mas também de preocupações e medos. Cerca de 50% das mulheres apresentam um distúrbio do humor na primeira semana após o parto, devido, principalmente, à queda dos níveis hormonais da gestação. Esse distúrbio caracteriza-se principalmente por insônia, acessos de choro, depressão, ansiedade, dificuldade e concentração, irritabilidade e instabilidade do humor. Muitas pessoas acreditam erroneamente que se trata de “depressão pós-parto”, mas a verdadeira Depressão pós-parto é muito mais complexa e com repercussões mais graves, como veremos mais adiante. Esta alteração de humor vivenciada na primeira semana pós-parto não é considerada anormal, e é autolimitada na maioria dos casos. O tratamento consiste em suporte familiar, principalmente do companheiro, e tranqüilização da nova mamãe de que estes sentimentos e ansiedades são naturais, e que irão desaparecer no decorrer dos dias.
Aproximadamente 15% das mulheres desenvolvem um distúrbio depressivo maior, entre 2 a 3 meses após o parto, conhecido com Depressão pós-parto. Mulheres com história pessoal e familiar de depressão, mulheres com distúrbios psiquiátricos e mulheres com história de depressão pós-parto em gestações anteriores apresentam maior risco de desenvolver a Depressão pós-parto, e, por isso, merecem maior atenção do obstetra e de seus familiares. Devemos suspeitar de Depressão pós-parto na presença de alguns sinais e sintomas como: depressão do humor na maior parte do dia; desinteresse em atividades cotidianas; aumento ou diminuição importante do apetite, com conseqüente perda ou ganho significativo de peso; insônia ou sono excessivo; agitação; cansaço exagerado ou perda de energia; sentimento de inutilidade ou culpa; diminuição da capacidade de pensar ou concentração; e, por último e mais grave, pensamentos recorrentes de morte, idéias suicidas e atentados contra a própria vida e a do bebê. Nestes casos, somente o apoio familiar não é eficaz, sendo necessário tratamento com medicações especificas, bem como acompanhamento com um psiquiatra. A terapia concentra-se em seus temores e preocupações acerca das novas responsabilidades. A maioria dos casos apresenta melhora gradual durante os seis meses após o parto. Em algumas mulheres a evolução da doença é suficientemente grave para necessitar de hospitalização.

Dra. Ana Carrolina Bühler - Obstetra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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