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Sobre avós e netos...

 

“E, então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê. Completamente grátis – nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo do penhor da mocidade perdida. Pois, aquela criancinha, longe de ser um estranho, é seu filho que é devolvido.” – Raquel de Queiroz

Na relação estabelecida entre avós e netos, circulam o tempo todo paradoxos como maturidade e jovialidade, sabedoria e desconhecimento, lembranças e descobertas, nascimentos e despedidas, fruto e raiz ...
Do ponto de vista dos avós, trata-se de uma excelente oportunidade de renovação, no revisitar de situações e experiências, desta vez com maior distanciamento e serenidade. Do ponto de vista da criança, trata-se de uma oportunidade única de se relacionar íntima e afetivamente com hábitos, ritmo de vida, modas, músicas, sabores, referencias culturais de uma outra geração. Através deste contato, que deveria ser preservado como um grande patrimônio, a história e a cultura a qual pertencem aquela família vão sendo absorvidos pela criança de uma forma muito viva.
A ligação afetiva entre avós e netos é, talvez, uma das mais fáceis, naturais e agradáveis. Isto porque seu ritmo é mais lento e sua maior simplicidade cativam as crianças. É um grande equívoco acreditar que a educação das crianças possa prescindir da presença dos avós, ainda que não pereçam muito fáceis os acordos em torno delas.


Fernanda Roche – Psicóloga Clínica e
Coordenadora do Projeto Criança em Foco


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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